28 de jul. de 2008
Programação (in)cultural:
Daí que esse mês de agosto tá animado: Temos dois dias de Porão do Rock, três dias de Móveis Convida, festa a fantasia das meninas e mais um monte de dias com programas a se inventar.
O porão vai ser legal, como sempre, mas sem grandes coisas. Todo mundo está morrendo pelo tal do “Muse”, mas eu nem me empolgo... Descobri esse povo com a propaganda do porão e nem gostei muito. Mas eu vou assim mesmo. Porão sempre tem diversão garantida.
O móveis esse ano é no Espaço Brasil Telecom, com 450 CADEIRAS. Então... Como eu vou pra um show dos móveis em um lugar inalcançável, com ingressos limitados e CADEIRAS????? Nem na minha casa tem cadeiras, porque eu as quereria num show dos móveis?!
A festinha das meninas tá super bombando, num lugar longe e estranho também, mas com muita gente legal e idéias incríveis. Só pela oportunidade de sair de casa vestido de Ney Matogrosso eu já me empolguei. Não que eu vá de Ney mesmo, mas gostei da idéia... e ainda a estou amadurecendo. (Eu terei que ficar bêbado antes de começar a me vestir, pra ter coragem, mas...)
E nos outros fins de semana ainda temos Galleria, Beirute, Gates Pub e outros programinhas alcoólicos.
Daí que eu sou do proletariado, não tenho dinheiro e dependo de salário.
Daí que eu tenho uma casa com três gatos pra cuidar e montar, então GRANDE parte do meu salário é comprometida.
Daí que eu sou um bêbado, então outra GRANDE parte do meu salário tem que manter minha embriagues.
Daí que eu não joguei na mega sena e não to muito a fim de trabalhar pro resto da vida.
Daí que eu to oferecendo o corpo por dinheiro, comida, ração pra gato, camas King Size, bebida e diversão. Alguém se oferece? Alguém?!
E daí que a Bréscia me odeia e some de mim. Faz programinhas pervertidos por aí e me esquece.
Ah, e daí que ainda tem o aniversário da minha mãe! Tenho que revirar minha cabecinha pra criar um presente bom e barato.
21 de jul. de 2008
Jesus está voltando, você está pronto?
Então, estamos todos preparados para o apocalipse? Alguém já ouviu trombetas e cantos gregorianos vindos do céu? Eu to aqui, esperando a chuva de meteoros... Será que demora? Dercy já morreu, o que mais falta? Ah, é... O Niemeyer e os Rolling Stones!
Gente, piadinhas sem graça à parte, eu realmente fiquei chocado. Não que eu não esperasse, eu esperava a morte dela desde que nasci, mas agora, sei lá... Ficou um vazio. Uma certeza de que a morte realmente existe, uma impressão ruim da vida... Coisas.
E sobre a visitinha ao Goiás, me restam: Dois dedos formigando há dois dias, algumas marcas doloridas no corpo, menos 4 centímetros de fígado e mais uma saudade imensa...
Rever velhos amigos serve só pra reavivar a saudade.
E coisas boas também, que não precisam ser ditas, podem ficar subentendidas.
Ah! E eu descobri que adoro Bela Vista de Goiás. Só lá você pode beber cerveja no pet shop! Exatamente, é um pet shop... que vende cerveja! O pet shop tá lá, bombando, e você senta numa mesinha e pede uma Antarctica. Gelada.
Ainda têm os espetinhos, mas daí eu não garanto a procedência... Espetinhos de pet shop?! Mal como vacas, vou comer gatos e cachorros? Não, obrigado.
Sem contar que agora também to com saudade dos amigos daqui! Todo mundo me abandonou, numa grande conspiração. Tenho certeza que estão todos numa festinha e, quando eu ligo, desligam o som e dizem que estão na casa da mãe... Certeza.
3 de jul. de 2008
Realismo.
- Que gracinha, seu filho?
- É, está agora com um ano e meio.
- Nossa... Pensar que daqui a algum tempo ele já vai pra escola, hein?
- É...
- Depois pra faculdade... Trabalho...
- Passa rápido, né?
- É... As crianças crescem rápido mesmo.
- Pois é.
- Quando você menos espera, já é um adulto!
- É...
- Aí ele fica velho... e morre.
- ...
- Se não for assassinado, claro. Nesse mundo violento que a gente vive...
- ...
23 de jun. de 2008
Ouça-me.
Sabe aquela segunda-feira dolorida, do meio pro fim do mês, quando você não tem mais nem UM real, nem pra almoçar, e seus cigarros estão contados? Sabe quando você trabalha DEZ horas seguidas, com sono e sem entender por que cargas d’água você não é a Paris Hilton? Sabe quando você está cambaleando de fome e ainda tem que enfrentar a rodoviária do Plano Piloto em pleno horário de pico? E, como se isso não bastasse, sabe quando você ainda tem que enfrentar um metrô lotado? E, pra desgraçar de vez, um velho ASQUEROSO escarra TRÊS vezes seguidas DO SEU LADO?! Então. Isso foi a minha segunda-feira. Que é pra começar bem a semana...
Mas sabe quando você tá andando até sua casa – claro que você mora longe da estação do metrô, mas vai de metrô, assim mesmo, porque é mais bonitinho –, variando de fome, e percebe que, mesmo com a vidinha miserável de proletariado-de-país-subdesenvolvido, que é terceiro, nem é segundo mundo, você vê que ainda está feliz?
É...
Aí você chega em casa, come mais do que deveria, fuma um cigarro (que tava fora da conta que você fez de manhã), e entra no msn só pra esperar alguém entrar... pra falar as mesmas besteiras que falou o dia inteiro, mas poder dormir com um sorrisinho besta estampado na cara... (aquele mesmo sorrisinho besta que me irrita).
“Já sabe o que eu sinto de cor
Ou vou ter que escrever nos muros
Gritar nas ruas
Mandar por num outdoor?
De tanto não poder dizer
Meus olhos deram de falar
Só falta você ouvir
Bem que você podia pintar na sala
Da minha tarde vazia
Meu bem”
Ah, o Ney sempre me entende...
18 de jun. de 2008
Pode rir. Hoje to meloso, doente e carente.
Tatuagem
Chico Buarque
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...
2 de jun. de 2008
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
“Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
E tinge os rumos da madrugada
E tinge os rumos da madrugada
Irão de longe as multidões suspirosas
Escutar o bezerro plangente”
Ah, realmente não há possibilidade (alguma) de viver com toda essa gente. Talvez com alguma gente, poucas. Pouquíssimas. O mundo gira, gira e me assusta. As pessoas mudam, as “tribos urbanas” se renovam, se reinventam, e me assustam. A forma como as pessoas amam, a forma como as pessoas demonstram seu amor e a forma como as pessoas tratam seu amor, me assustam. A falta de senso crítico, a necessidade de ser criticado. A falta de bom-senso, a necessidade de NÃO ser bom. Tudo isso tem me assustado deveras... E é então que vejo que não, não posso estar tão errado e ser a grande escória da sociedade. Não posso ter me enganado tanto. Não é uma roupa ridícula, de tão moderna, que te deixa melhor. Não será uma chegada escatológica, de tão moderna, que te dará a atenção que precisa. Não vai ser um escândalo pobre que vai garantir a “segurança” e a “estabilidade” do seu amor. Não vai ser toda a sua modernidade que vai garantir sua vida social. Podemos ser modernos, hypes, à frente do nosso tempo, podemos até chocar com toda a nossa modernidade, mas isso não vai garantir nossa saúde mental.
Enfim, e quem sou eu pra dizer isso? Eu, que já estive à frente do meu tempo. Que ousei com aquela roupa. Que cheguei de forma escatológica pra garantir alguns olhares. Eu, que nunca briguei por ninguém e, talvez por isso, hoje não tenho ninguém. Eu, que nunca tenho certeza do que é certo e do que é errado, que sempre posso mudar de opinião. Que sempre me contradigo. Que às vezes sinto falta de tudo isso, mesmo já tendo provado que estava errado. Eu que nem sei se concordo comigo mesmo!
"Eu vou lhes dizer agora o oposto do que eu disse antes, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante."
De tão moderno que sou, citei Raul Seixas e Secos e Molhados num mesmo texto.
”Dentaduras duplas!
Inda não sou bem velho
Para merecer-vos...”
Pronto. Agora citei Drummond! Tanto rabugismo às vezes me faz crer que meu RG me engana.
24 de mai. de 2008
O que importa é que já não importa o que importa.
Parada na janela, sentada sobre o parapeito, via as árvores do parque, as crianças que corriam, os carros que passavam lá no fundo (desta altura, já pequenos) e alguns pássaros que cantavam (na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana). Então ela se jogou. Não, não foi bem assim que tudo aconteceu. Havia mais poesia... Ela não se jogou, apenas deixou que suas moléculas seguissem o fluxo natural das coisas. O resto foi culpa da lei-da-gravidade, que faz de pequenas quedas simples, grandes quedas graves. E o som grave daquela tarde estava mais sonoro que o normal, como canto de pássaros (na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana, mesmo não sendo assim tão graves). E crianças que gritavam, corriam, sorriam, corriam, gritavam, sem parar, como pequenos aborígines assustados. Gremlins alimentados depois da meia-noite, reproduzidos com água. E o filete de sangue escorria da boca de dentes quebrados, sujando o passeio público. Morreu na contra-mão, atrapalhando o trânsito. O público, que não parava de transitar, agora se reunia em volta de uma pequena tragédia. Não pequena, afinal ela não era tão pequena (fracassara no regime mais uma vez). Mas pequena, afinal, só uma vítima. Nenhum grande incêndio, nenhuma torre no chão, que dirá duas! Só uns cabelos sujos, embaraçados pelo vento. E pernas que se dobram num ângulo estranho, que não deveria existir. E braços que se abrem numa cena profana, como sátira. E o filete de sangue, que teimava em escorrer da boca de dentes quebrados.
Não, podemos contar assim: Estava na janela, a sonhar, quando uma mão pesada veio e lhe empurrou. Eu disse mão, não mãe, essa história é outra. Nessa janela não tinha grade ou cerca. Não tinham cúmplices, fraldas, tesouras ou testemunhas. Nessa história não tinha nem a mão pesada, para empurrá-la. Mas a mão pesada a empurrou, pra não perdermos o início da trama. E foi tudo tramado, o sol que pairava amarelo, o céu que esperava azul, as nuvens que sorriam brancas e os pássaros que cantavam cinzas. Na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana. Sim, talvez uns pardais. Mas nenhuma criança, nessa história não tinha crianças. Ninguém sorria, ninguém gritava, ninguém corria. O passeio não era público, o tráfego não se movia (hora do rush). Ou feriado nacional, no pátio do inmetro. Alguém dentro dela resolveu não trabalhar naquele dia, naquele feriado nacional. Suas moléculas, sob o efeito grave da lei-da-gravidade, seguiram o fluxo natural das coisas. Se soltas, caem. E caiu, pesada como uma mulher-antes-do-trinta-que-ainda-não-conseguiu-atingir-o-peso-ideal. Todo o peso de uma vida, de várias vidas, de uma mulher, de um homem, de vários homens. No fim das contas, as contas não fazem diferença. Ela era todas, naquele corpo grande de mulher experimentada. Era todos, naquele corpo grande de mulher invadida. E todos os invasores caíram com ela, naquele baque surdo de ossos-contra-o-asfalto.
Também poderia terminar assim: Ela olhou pela janela, sentiu os olhos cansados daquele sol quente, daquelas nuvens brancas, daquele céu azul, daqueles pássaros cantarolantes. Nunca teve dom pra princesa de conto-de-fadas. Pulou.
Ainda poderíamos dizer de outra forma, que, cansada da luz intensa do sol (essas ressacas ainda me matam), voltou-se pra dentro, trancou a janela, fechou as cortinas, bebeu o último trago de vodca, apagou o último toco de cigarro e voltou a dormir.
19 de mai. de 2008
Quando ela chora eu não sei se é dos olhos pra fora, não sei do que ri.
Sorrisos estampados me irritam. Não é um sorriso, parece uma cãibra. É como se estivessem zombando, sorrindo. Um quadro famoso que ilustra uma parede famosa de um museu famoso. O eterno sorriso da Monalisa, ridícula. Alguém disse (acho que foi Victor Hugo) que “rir de tudo é desespero”. Não rir pode ser (ou não) tristeza, mas rir de tudo é, com certeza, desespero. Kafka já falou disso, n’O Processo. K. (o protagonista, que luta contra o processo) tem um ajudante no banco que tem uma contração involuntária da boca, parece que ele está sempre sorrindo. Isso, obviamente, irrita muito ao K. Talvez a culpa, a timidez, causem toda essa irritação, pois parece que quem está rindo sem motivo só pode estar rindo da gente. O personagem não faz nada além de estar ali, sorrindo. Irritando. Kafka faz questão de explicar que K. sabe que é só uma contração INVOLUNTÁRIA, mas mesmo assim ele se irrita. A primeira menção a ele é “e Kaminer e seu sorriso insuportável, provocado por uma contração crônica dos músculos”.Em outra passagem, no mesmo capítulo, Kafka diz: “Kaminer alcançou-lhe o chapéu, e K. teve de dizer expressamente a si mesmo, conforme aliás também havia sido necessário mais de uma vez no banco, que o sorriso de Kaminer não era intencional, que ele nem sequer era capaz de rir intencionalmente”. Durante toda a narrativa, sempre que o Kaminer aparece, o autor cita a irritação que esse sorriso provoca. E eu concordo plenamente com ele. Pessoas inexplicavelmente sorridentes são insuportáveis.
Não que a felicidade alheia me incomode, longe disso. Adoro uma boa gargalhada, um sorriso satisfeito e até aquelas risadinhas de hiena doida são aceitáveis, quando não são felicidades exageradas também. A felicidade alheia me felicita, quando moderada. Felicidade demais é muito suspeita. Mas a felicidade comedida e explicável é linda! O problema é o sorriso estranho, que nunca sai do rosto. Eu sorrio muito, conheço gente que sorri muito, mas nunca supera o limite do suportável. Nunca é aquele sorriso estranho, de gente que não faz outra coisa senão sorrir. Eu gosto (apesar de me incomodar e ser sempre motivo de resmungos) da cara de desdém da Marianna, da cara de absoluto desprezo da Bréscia, da cara de profunda indignação da Ana Lívia, de todas as caras do Ramón e por aí vai. A Suellen tá sempre sorrindo, mas ela tem uma aura mais feliz. Não é o tal sorriso chato. E os outros, que também não são tão esquisitos. Não sei se conseguiria criar um vínculo de verdadeira amizade com alguém tão “sorrisos”. Não seria saudável. Prefiro as pessoas humanas, que riem, sorriem, xingam e fazem cara feia também. Vamos deixar os sorrisos pro Louvre, a Monalisa faz isso melhor que ninguém.
Oquei? Vamos sorrir com parcimônia, meus queridos.
15 de mai. de 2008
“Quero, no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas...”
Eu sabia! Sempre esteve escrito:
“Lua na 9ªcasa
Grande imaginação. Instabilidade nas opiniões. Estudos prolongados, intuição. O sucesso profissional terá lugar no estrangeiro, ou com um comércio de importação-exportação, ou na diplomacia. Contacto com estrangeiros. Gosto por viagens ou evasões mentais. Facilidade para aprender línguas”.
Não adianta. Eu não vou ser feliz aqui... é um fato! Sou brasileiro, mas já desisti. Preciso de ares mais poluídos, rios mais fedidos, construções mais antigas, dinheiro mais acessível, consumismo mais fácil, prédios mais imponentes, museus mais frescos, festas mais insanas, pessoas mais metidas e clima mais frio (no tempo e nas pessoas). Tá no meu mapa astral, no meu destino, nas estrelas!!!
Chega desse calor latino-americano, desse país tropical... Pode ser abençoado por Deus e até bonito por natureza, mas não faz parte da minha natureza. Prefiro a beleza artificial, criada com pedras, tijolos e concreto. Prefiro vista pro Central Park, cheiro do Senna, tropeços no Coliseu, poses em cafés parisienses, underground insano no sub-solo londrino, frio escroto nas praças de Praga, sexo fácil e drogas novas em Amsterdã, trances em Israel, cigarros fortes em Montpellier, uísques de fogo na Escócia, chocolates amargos na Suíça, cerveja e violência gratuita na Alemanha, vodkas na Rússia, fumaça na China, enfim. Etecéteras ad infinitum. Preciso do mundo!
Mas o mundo vive tão bem sem mim... Sei não, hein.
O jeito é me entregar com tudo ao capitalismo e chafurdar nessa lama quente e brasileira. Quando eu emergir meu narizinho metido, penso nas minhas viagens e andanças. Acho que já me imiscuí demais nessa selva de pedra, pra jogar uma mochila nas costas e comprar uma passagem de ônibus. Preciso mesmo é de escravas sexuais, cassinos clandestinos, narcotráfico, estelionato ou só um cargo político.
Enquanto nada disso vem a mim (nem eu consigo alcança-los), vou vivendo minha vidinha de proletariado, das nove da madrugada às sete da noite, vivendo com correntes nos pés e algemas nas mãos.
Vivendo preso pelos bolsos!
“Ai, morena, viver é bom. Esquece as penas, vem morar comigo em Babylon!”
5 de mai. de 2008
Réplicas e obrigados.
Laranjas, vodkas com energético, companhia, parabéns, bolo, festa, alimento nos domingos solitários, solidão nos dias de solidão por opção, abraços, cantos, danças, fotos, apertos, montinhos, gritos, performances, gritos, brigas, soneca na torre, treino de swing (pra azar do meu pobre saquinho...), conversas, choros, velas, ladainhas, vontades, alegrias, tristezas, é tudo compartilhado.
Amigos são pra isso. Amigos TÊM que ser pra isso! As gratidões são mútuas, pois quando você me pede laranjas, te peço mangas. Te dou suas laranjas (ou tang de laranja, quando a fruta não está à mão) e te peço as mangas quando preciso. E o mais lindo disso tudo é que tenho certeza que, mesmo que eu não tenha suas laranjas, você me arranjará minhas mangas. E, mesmo que você não consiga minhas mangas, eu te darei todas as laranjas que conseguir, porque você merece. Vocês todos merecem minhas laranjas, minhas mangas, minhas mãos, meus olhos, meus ouvidos, minha cabeça, meus atos, minhas palavras, meus braços, meu corpo, meus enjôos de Heleninha Roitman e tudo mais que eu tiver! Vocês merecem minha vida e por vocês, não pelos vizinhos, eu voltaria ao incêndio. Por vocês eu pularia em qualquer buraco, escalaria qualquer montanha, enfrentaria qualquer briga, mataria, morreria, choraria, riria. E faço tudo isso sempre que posso... Quando não posso, tento. E quando não tento, é porque estou precisando ainda mais de vocês...
Vocês fazem minha semana suportável e meu fim de semana incrível. No fim das contas, são vocês que fazem minha vida feliz. Aqui, ali, acolá, meus amigos fazem minha vida mais feliz.
Ah! E a foto é só um exemplo. Toda a melação se estende também aos que não foram ilustrados, mas que são tão ilustres quanto.
23 de abr. de 2008
Cefaléia Desvairada
À dor de cabeça!
Ardor de cabeças.
E não quero que você entenda,
Só me escute, me escreva, me leia.
Leve-me pelos seus caminhos
E me faça perguntas
Não responda às minhas.
Apenas me ofereça seu silêncio
Seu confortante silêncio.
Não se sinta como...
...como o quê?
Sinta-se assim.
Assim como eu o sinto.
Chame-me pelo seu nome
E me renomeie sempre
Volte pra mim
Mesmo antes de me deixar
E me cerque de você
Como se não houvesse mais espaço
No mundo.
Mudo.
Mudo em inconstâcias.
Como quando não te quis
Como quando não te quero mais.
Queria a estabilidade de um círculo
E ser linear
Sem ondas
Sem linhas ondulantes
À instabilidade das linhas ondulantes!
Mas mudo tanto...
Mudo de casa, de roupa, de cara, de opinião
Mudo.
Sem sequer um som, eu mudo.
Aspiro às aspirações mundanas
E às expiações
E aspiro a uma aspiração...
Que me inspire
Mas mudo tanto.
À dor de cabeça!
Ah, dor de cabeça...
Que roda, roda, roda, roda...
Em círculos imperfeitos
Ovais.
Instáveis.
Estava tão bem
Estava tão bem...
Naquela época
Naquele dia
Naquela hora
Quando eu não lembro
Quando tudo é flash
À escuridão dos lapsos!
Ao silêncio dos passos na escada
Às escadas dos passos vacilantes
Trôpego!
Como quem atravessa a rua com passos bêbados
Como quem sobe a construção como máquina
Máquina que escreve
Máquina que sente, ri e chora.
Choro choras choramos
A DOR DE CABEÇA!
20 de abr. de 2008
Não tem pé, não tem cabeça, não tem ninguém que mereça...
Existir. Existir em várias formas, de vários jeitos. Viver como a vida exige, viver como queremos. Enfim, viver. Existir é fácil, uma pedra existe. E é só. Nós, estáticos, não existimos tanto... Precisamos de atitudes, ações, pensamentos e palavras. Existimos por meio de atitudes, ações, pensamentos e palavras. E sentimos essa existência. Não senti-la seria ignora-la. O que acabaria por gerar uma inexistência da existência, que não poderia ser ignorada. Inexistir. Inexistir. Mas não é tão fácil assim... Morte não leva à inexistência. Leva à sutileza de ser lembrado, esquecido e nossas marcas acabam por nos tornar permanentes, o que nos leva a existir ainda mais. Se eu fosse uma pedra, existira apenas. Mas eu sinto o que existe. Sinto as pedras e não posso ignora-las. Senti-las já é assumir sua existência. O que eu sinto existe? Existe a partir do momento em que sinto, pois, antes, não existia pra mim. E tentar ignorar o que eu sinto já seria uma forma de sentir. Ora, quem é que não sabe o que é se sentir sozinho? Mais sozinho que um elevador vazio... E não me importa se eu existo pra você, eu existo pra mim e isso é suficiente pra me cansar. Sozinho, eu existo ainda mais pra mim. Dividindo com você, a existência fica menos pesada. Mais suportável. Deveríamos desviar os olhos e pensar em pequenas coisas. Deveríamos beber mais e pensar menos. Pensar menos em nós mesmos... Pensar mais nas coisas que nos cercam. E como elas nos cercam... Tanto! Essas paredes ainda vão me enlouquecer. Essas paredes de pedras, de pessoas, de luzes e “moral e ética”. As paredes morais me sufocam, você sabe como é. Não me dou bem com a simetria desse quarto. E não me dou bem com... Nunca me dou bem.
10 de abr. de 2008
"Não vá me dizer palavras que venham me fazer chorar depois"
Não me venha com seus baseados, eu não me baseio nisso.
Não me venha com suas carreiras brancas, que eu não troco minha consciência senil por sua insanidade programada.
Não me venha com suas bandas electro-indie-sexy-punk-metidas, que eu não vou estragar minha simplicidade nacional com suas sujeiras de seja-lá-onde-for.
Não me venha com suas pernas torneadas e seus músculos definidos, eu não vou trocar meu sedentarismo por sua saúde narcisista.
Não me venha com seus Proust-Kafka-Jung-Dostoiévisk-Freud. Não vou confundir minha ignorância com sua cultura estranha.
Não me venha com roupas descoladas e cabelos coloridos, que eu não quero perder minha breguice confortável.
Não me venha todo pimpão, com suas gírias supimpas, que eu não vou estragar meu vocabulário retrógrado.
Não me venha com seus sentimentalismos baratos, eu não vou sair da minha frieza de novela mexicana.
Não me venha com seus deuses, crenças e religiões, que eu não vou perder meu ceticismo besta.
Não me venha dizer que eu estou errado, não quero desistir das minhas ilusões por sua chatice.
Não me venha com seu gingado malemolente, não me perco em qualquer ritmo.
Não me venha com sensualidades, não troco minhas curvas quadradas por suas esquisitices latinas.
Não me venha com suas lâminas frias, não vou estragar minhas veias com suas promessas mentirosas.
Não me venha com seus cansaços, prefiro os meus.
Não me venha chorar seus amores, ainda estou chorando a inexistência dos meus.
Não me venha pedir pra entender, eu não entendo.
Não me venha com raios-e-trovões, hoje eu só quero um dia de sol e um copo d’água.
E PRIN-CI-PAL-MEN-TE não me venha. Não vou trocar minha solidão triste e comodista por sua companhia agradável.
8 de abr. de 2008
Sei que tudo vai ficar bem.
O que não sei é se vou ficar também.
Tudo, pra variar, me enche. Enchem de tédio, de medo, de desespero, de ansiedade e de remorsos mil. As coisas, as pessoas, as vidas, minha vida e meus exageros, respectivamente. E a compulsão que me assusta... É querer pegar, com uma mão, dez laranjas. A burrice maior não é querer, é tentar pegá-las. E eu sempre tento, mesmo sabendo que é burrice. E eu não sei como não tentar! Daí parto pro casulo... Pra esperar as coisas melhorarem, pra voltar à vida. Mas sempre recaio nos mesmos erros. É escroteando quem não merece, é fodendo comigo mesmo, é enfiando a cabeça na tomada e os dedos na parede. E exagero tudo. Exagero o drama, exagero a carência, exagero a tristeza, a ilusão, a inocência, a culpa... Tudo fora dos eixos. Tudo fora da ordem. Tudo fora do meu controle.
”Acima das nuvens o tempo é sempre bom
E o sol brilha tanto que pode te cegar
Eu quero estar bem longe do chão
Só pra não ver você chorar
Mas o ar é tão puro que foge de mim”
31 de mar. de 2008
Segunda-feira pneumática numa vida de ansiedades...
Moço, ta chegando? E agora, ta chegando? Quando estiver chegando você me avisa? Não esquece de me avisar, hein, moço!
...
Moço você esqueceu?!
Ah, ta, eu espero...
Mas não esquece de me avisar!
Moço, é que eu não conheço esse caminho, então me avisa mesmo, ta?
Moço! Hei, moço! Ainda demora muito? Ta chegando?
...
Aiai... (suspiro) Será que ainda demora muito?!
Moço, já passou, não?
Então ta chegando?
Chegou? É aqui?
...
Moço, eu acho que não é aqui!
Eu não lembro de ver aquela árvore!
Você tem CERTEZA que é aqui?
Eu acho que é na próxima.
Vou descer na próxima, ta, moço?
Na próxima, por favor!
...
Putz! Desci no lugar errado, era na outra mesmo.
Drogas, agora vou ter andar até lá...
23 de mar. de 2008
"Um pequeno retorno" ou "A outra volta do círculo".
Enquanto eu estiver aqui, ninguém vai lhe fazer mal... Enquanto eu estiver aqui. E eu sempre estarei aqui. Correndo, morrendo, sorrindo... Aqui. Todos os dias. Vamos passar as tardes da eternidade a fazer meias. E a contar histórias e anedotas. Vamos correr, vamos morrer, vamos sorrir. Vamos passar as tardes da eternidade a sorrir. E quando estiver mais triste, mas triste de não ter jeito... Lá não conheço ninguém. De nada adiantará. Talvez um café forte, um tabaco lento e um blues amargo. Talvez. Talvez qualquer coisa que entorpeça. Com tanto sentimento, deve ter algum que sirva. Anfetaminas para rapazes, crucifixos para moças. E vice-versa. Crucifixos nos rapazes, anfetaminas nas moças. Ladies and gentlemans. Matar e fazer tortas, deve haver felicidade nisso. No fosso dos jacarés, na vala das ariranhas, nos buracos de esgoto. Mais uma vez abraçar pilastras e beijar dementadores. Também deve haver felicidade nisso. Hóstias, batinas e altares. Adoremo-nos então! A chama não se apaga mesmo... A não ser que o vento esteja forte. A não ser que o vento venha daquele lado... A tempestade que chega é da cor dos seus olhos
castanhos. Mas não me diga isso... É só hoje e isso passará. Killer. Eu não lamento nada, mais ne me quittes pas. Passo por cima de muito mais por muito menos. Passo por cima de quase tudo por quase nada. E de você sei quase nada... Sei que se chama como eu o chamo, e que anda por aí. Sei também que não segue os meus passos, mas eu imagino. É tolice, eu sei, mas eu imagino. E quando minto pra você, me sinto enganado. Mas não posso segurar as mentiras que pulam da minha boca. Talvez mitomania, talvez cara-de-pau. Ou talvez, cúmulo dos cúmulos, um mitômano cara-de-pau. Ou talvez apenas um rapazote iludido. À espera de um milagre. À espera de um grande milagre..
28 de dez. de 2006
Filosofias...
- Mas nem todo mundo interpreta o homem da mesma forma...
- Como assim "Nem todo mundo"?
- Ah! Assim... Nem todo mundo, ora! Alguns dizem que o homem existe, e filosofam sobre isso. Outros dizem que o homem não existe, e ainda tentam explicar...
- ...
- Eu, particularmente, creio que não há nada disso, que nós apenas vivemos... Cada um pode dizer o que quiser, eu só acredito no que vejo, por isso acho que estou mais pra existencialista.
- Não sei, às vezes parece que somos tão etéreos... Tão impalpáveis em várias atitudes, que não duvido que sejamos todos fruto da imaginação de alguém... Talvez num manicômio do interior da Tchecolosváquia... Qualquer coisa meio Matrix!
- Mas como??? Se eu te vejo, te toco, sinto seu cheiro, sentiria seu gosto (se fosse da minha cultura comê-la). É real demais pra duvidarmos.
- Eu sei, mas... Como explicar as afinidades, a maldade? Os sentimentos esdrúxulos (como dizia o poeta)? Como explicar a poesia? Tudo pode não existir, ou existir de outra forma, que não podemos explicar nem entender. Uma existencia diferente..
- Não existe existência diferente, somos o que vemos, o que comemos, o que fazemos... O que sentimos é apenas consequência de nossos atos e, talvez, reflexo de atos alheios.
- Só porque você não entende, não quer dizer que não existe outra forma de existência! O universo é grande demais para o reduzirmos apenas ao que está ao nosso alcance. Quem sabe o que existe além das estrelas??
- É... Talvez haja razão no que você diz... Mas nada me tira da cabeça que o que vemos é que nos importa agora. De que me adianta a existência a milhares de milhões de quilômetros luz daqui? Está além do alcance da minha imaginação, logo, além do meu alcance. Não me importa! Não deve me importar!
- E por isso acreditar apenas na existência simples do que você alcança?
- Sim, por isso!
- Mas falta algo nesta crença simples e reduzida. Você não sente falta do que não conhece, mas não sente uma necessidade, humana até, de conhecer??
- Não. Vivo bem mais fácil assim, só com o que tenho. O que eu não conheço pode ser muito pior que o que tenho. Não sei se vale a pena arriscar.
- Então você quer apenas a reptição monótona do que já conhece? Não sente que isso um dia também vai acabar? E então nada terá valido à pena...
- Mas o que não conhecemos é assim por que ainda não estamos preparados para conhecer. Isto (o que não conhecemos) já se entreabre em nossa imaginação, justamente para nos preparar para sua aparição. Enquanto isso, prefiro a vida limitada que tenho. Um dia, tenho certeza, tudo se abrirá diante de nossos olhos, então estaremos preparados. Quem sabe até não terão esta mesma dúvida depois de nós? Pois então o desconhecido será comum, e tudo perderá a graça novamente. Vê agora por que não queria pensar sobre isso? Por que prefiro a minha atual ignorância?
- Não. Você, no fundo, concorda que algo há além de nós, por que não admite?
- Porque não entendo. Não sei se seremos nós a reclamar novamente daqui a milênios (ou menos!) ou serão outros. Não sei se somos eternos ou se viramos pó junto com nossos corpos. Não sei. E isso me incomoda. É muito melhor, até para minha sanidade, crer e me preocupar com o que está aqui, à minha volta. O resto que se exploda...
- É. Neste ponto você tem razão. O que não conhecemos não deve nos preocupar, pois, se não conhecemos, é porque ainda não é da nossa ossada. Temos muito ainda por fazer e viver. Temos muito ainda a corrigir antes de querer mudar algo que talvez ainda nem exista...
- ...
20 de fev. de 2006
17 de fev. de 2006
.Estrambotismos Surreais.
HuHuHu
Hj estou muito melhor, tenho novas visões para o futuro...
Os horizontes estão se expandindo, as perspectivas de uma vida melhor no futuro
aumentaram...
Já sinto até vontade de estudar, trabalhar, lutar por algo que eu quero, ir adiante,
com a cabeça erguida!!
Viver freneticamente cada segundo.
Se não posso controlar o fim, então vou controlar os meios...
Vou fazer o que eu quero e como eu quero
E o que eu quero agora é correr atras do prejuízo, refazer o que eu fiz errado, e
fazer o que eu ainda nao tinha feito...
[Eu to feliz, eu to feliz..
[Eu to alto astral...
[To sorrindo atoa, curtindo numa boa...
[Vou liberar 'geral'...
o.O
Ops!!
=]
Agora chega de ilusões...
Tenho que enfrentar a realidade...
=/
.
3 de fev. de 2006
""As Brigas Que Perdi...""
Ela se levantou da cadeira, levou a mão ao rosto da outra, sem pudor ou piedade. Aquela, ofendida, agredida, revidou com violência. Um copo ao alcance da mão da primeira e o golpe foi certeiro. Na parede. Os cacos se misturam com os pés, que revelavam o sangue e a sujeira de um dia inteiro. O ódio pairava no ar, entre fios emaranhados de cabelos negros e loiros. Gritos ecoavam nas paredes frias, úmidas. Palavrões das piores espécies, nomes que machucam. Gritos que podem matar. Ou aleijar. Mãos voavam entres rangidos de dentes, entre os uivos de crueldade. As unhas saíram de dentro da epiderme. Os cabelos se separaram com dificuldade. Negros de um lado. Loiros de outro. Um racismo inconsciente. Outro copo ao alcance da mão. Mais cacos na parede. No chão, mais sangue. E mais ódio no ar. Olhos arregalados de crianças esquecidas no canto da sala. Choro. Lágrimas doloridas. Gritos desesperados. Medo infantil. A raiva ainda enche os pulmões ofegantes, e os rostos se escondem embaixo de fios revoltos. Loiros. Negros. Marrons. Vermelho no chão, nas mãos, no rosto assustado das crianças. A platéia.
Então me veio a cena na cabeça: duas mulheres enlouquecidas, brigando, ensangüentadas, uivando e gritando dentro de uma gaiola pequena. Enquanto crianças sorridentes, e de olhinhos brilhantes, aplaudem e jogam doces e moedas. Enquanto o sangue espirra. Uma delas cai. Fraca. Pálida. E a outra bufa. Respira ódio. Ri sarcasticamente. Ri de si mesma. Ri da outra. Ri do mundo. E das crianças pervertidas que o habitam. E ri mais ainda quando se lembra daquele que morreu na cruz. Aquele que se matou por episódios como esse. Que se matou por puro masoquismo.
Um grito me faz voltar a mim. Foi um longo devaneio. Elas estão separadas. Um lago de sangue, cacos, sujeira e raiva as separam. Uma delas chora. Aproveita o momento e chora toda a sua vida. Todo o sofrimento do mundo. Todo o sofrimento dos seus olhos. Foge desesperadamente, enquanto a outra ri. Não sei do que ela ri. Talvez ela tenha algum motivo. Talvez a vitória sobre a outra. Talvez a raiva ou a revolta. Não sei. Mas me pareceu muito familiar aquele sorriso.
Mauro Filho
[Baseado em fatos reais]
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