21 de fev. de 2009




Isso, prevaricado leitor, é um romance policial. Descarte-o depois de ler, se só os clássicos lhe apetecem. Ou guarde-o, se lhe interessar relê-lo. Acontece que temos um criminoso, um mocinho, um romance e um crime. Com sangue, dor e tudo o mais que um crime pede. Não é um crime premeditado, mas também não é bala perdida. É crime acontecido, acontecendo, inevitável. Cabe a você, decepcionado leitor, descobrir o crime, o criminoso, o mocinho e o romance. Eles se mesclam numa história chata, repetitiva. O crime não é um fato, não é um acontecimento. O crime, desistente leitor, é viver.


21 de dez. de 2008

A aberração social.




Tem tanta coisa que eu preciso falar e sei que você não quer ouvir. Tem tanta coisa... É estranho, pra mim, saber que eu gosto mais de você do que você de mim. É como um esgar de anzol na boca, uma loucura de descobrir o motivo porque você não gosta de mim tanto quanto eu gosto de você. Não é lógico termos a mesma intensidade de intenções? Não pra você... Você não se importa. E eu me importo demais. Eu preciso, eu sinto falta. Você se diverte. Os olhos postos sobre qualquer coisa, o estômago querendo sair... Os fantasmas nos seguem em qualquer lugar, mas você não se importa. Você se diverte. Eu nunca sei o que me interessa de verdade, e você muda de interesses rapidamente. Quando eu percebi que me interessava por você, você já tinha mudado de interesse. Quando eu me voltei pra você, você já tinha me voltado as costas. Seu egoísmo não te deixa ver que eu preciso. Você é preciso na sua imprecisão. Você não se importa. Eu me importo demais.
Você tem fases e faces, todas egoístas. Você não se importa.
Eu não tenho surpresas pra você. Eu sou chato mesmo, te procuro, insisto, brigo e faço drama. Você se diverte. Eu não choro escondido, não corto os pulsos, não arranco os cabelos. Eu sinto sua falta e isso te basta. Você finge que lembrou de mim, mas isso não me basta. Eu esperava que você sentisse minha falta, mas eu não faço falta. Eu posso estar aqui ou longe, não faz diferença. Não pra você. Eu posso estar aqui ou longe, pra mim também não faz diferença. Sempre tem alguém, sempre tem você. Você não precisa ter nome ou rosto, você sempre está aqui. Mesmo quando está longe, você está aqui. Fazendo-me falta, mesmo quando está aqui.
Você devia ir pra longe. Você devia morrer. Não faria diferença, não pra você. Não pra mim. Você não é um, você é todos. Você vive em mim quando eu tento fugir. Você me alcança onde quer que eu chegue. Você me persegue porque eu sou você, e eu já não sei mais o que digo... estou me perdendo em mim. Estou me perdendo em você, dentro de mim.

13 de dez. de 2008

Bem-Querer



E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás.

30 de nov. de 2008

Me faz chorar e é feito pra rir.


Tudo muito estranho. Muito estranho mesmo.
As coisas não estão sob controle, não estão onde deveriam estar. As pessoas não são quem deveriam ser. Eu não sei quem sou. Você deveria estar aqui, não aí. Você deveria ser minha salvação, não minha perdição. Eu deveria te amar pelo que você é, não pelo que eu preciso.
Alguém deveria entender tudo isso.
Alguém deveria entender e me explicar tudo isso.

Onde eu estava quando tudo aconteceu?

11 de nov. de 2008

Por acaso, numa noite qualquer.




Nos encontramos por acaso, numa noite qualquer. Ele buscava por diversão, eu buscava por qualquer coisa pra beber. Ambos buscávamos sexo. Ambos buscávamos nossos sexos.
Quando o vi estava no balcão, pedindo um cigarro. Olhou de soslaio, com o canto do olho. Eu olhei em cheio, de olho inteiro. Ele pagou o cigarro, agradeceu e saiu. Eu paguei o vinho e saí. Já na rua, chamei. Pedi o isqueiro emprestado, ele pediu um gole de vinho. A conversa fluiu fácil, ele perguntou pra onde eu ia, eu disse que já tinha chegado.
- To por aí, esperando o tempo acabar.
- Ta sozinho?
- To.
Vinho foi, vinho veio. Entre cinzas e cigarros, nos conhecemos. Foi por acaso, numa noite qualquer. Ele usava um casaco vermelho, eu usava uma camiseta branca. Ele usava gel no cabelo, eu não fazia a barba há quase uma semana. Ele precisava de alguém pra despenteá-lo, eu precisava de alguém pra me mandar fazer a barba.
Terminamos de beber na minha casa, com suas conseqüências. As melhores.
Terminamos o outro dia na sua casa, com suas conseqüências. As melhores.
O tempo, os vinhos, os cigarros. Nos amávamos, era verdade. Nos amávamos e nos completávamos, pois eu andava barbeado e ele despenteado. Nos amávamos, era verdade.
Usei seu casaco vermelho, joguei seu gel no lixo. Ele me comprou novos barbeadores, usou minha camiseta branca. Manchou de vinho, molho ou sangue.
Piaf na vitrola, Placebo no mp3, Chico no Leblon. Andávamos em harmonia. Andávamos por aí. Ele cozinhava, eu lavava. Ele dava, eu comia.
Trocávamos.
O tempo veio, os vinhos escassearam, os cigarros aumentaram. Solitários.
Terminamos.

Eu precisava de mais uma garrafa de vinho, por acaso, noutra noite qualquer. Ele precisava de outros cigarros, por acaso, noutra noite qualquer.
Trepamos ainda umas vezes, sem a mesma graça.
Trepamos ainda umas vezes, com outras graças.

19 de out. de 2008

Pense bem, mas nem tanto.



O problema é conviver com isso... esse desespero que é de nada, essa ansiedade que é de coisa nenhuma. E um medo. Um medo do que vai acontecer, um medo do que pode acontecer. Um medo de sentir medo. E tudo gera uma angústia, uma agonia. Uma agonia que é de viver.
Como uma prisão, um prisma. Muitos corredores, muitas portas, muita gente. E tudo leva ao mesmo lugar. Nada tem graça. Nada dá vontade. E o tesão vai acabando, e o ânimo vai acabando, e um sentimento de solidão que aumenta. Como se você andasse na rua e todo mundo virasse a cara. Como se você não tivesse amigos no recreio. Como se seu pai, sua mãe, seu melhor amigo, sua namorada, seus vizinhos, seus colegas. Como se ninguém gostasse de você. E você sabe que não é assim, que é uma visão distorcida do mundo. Que é uma visão distorcida de você mesmo. Na verdade é você quem não gosta de você, daí o mundo fica cada vez mais estranho. As prioridades perdem a prioridade, as vontades ficam pra depois, o fogo vai se apagando... e só fica essa fumaça preta, que te sufoca.
Quando você não gosta de alguém, o que faz? Afasta-se. Aos poucos ou num golpe, você se afasta. Você evita quem te faz mal. Mas e quando é você quem te faz mal? Quando você não gosta de você mesmo, se afasta? Dar um tempo, tirar umas férias, sair do ar... Você está sempre ali por perto, sempre falando, falando, falando... E você não concorda com o que faz, mas faz. E não sabe o porquê. Haverá um porquê nisso tudo?
Quantos suicídios uma pessoa pode cometer? Quantas mortes? Você pode morrer o tempo todo, a cada minuto. E de nada adianta. Você pode morrer em todos os capítulos, e de nada adianta. A vida ta aí pra ser vivida, agüentada, levada... A vida ta aí. Quer você queira, quer não. As coisas não são fáceis, as coisas não são boas. Tudo tem fases, etapas, momentos. Mas quantas fases são necessárias pra uma vida? É melhor não pensar. Pensar pode doer mais que navalha. Nazarian é que tava certo, isso não é diversão. Não é pra você se divertir.
Qual a graça?
Você nasceu assim, você cresceu assim, mas você não é Gabriela. Não precisa ser sempre assim. Você só tem que aprender a mudar. Você só tem que querer mudar. O mundo muda quando você muda. E tudo fica mais suportável.
Isso de fazer escolhas, é inadiável. É inevitável.



Então vá, faça suas escolhas. Aproveita enquanto ainda vê alguma graça nessa merda toda.
Eu vou tomar umas aspirinas e ouvir Piaf.

4 de out. de 2008




As bolhas se arredondam
Fazem círculos e sobem
As bolhas de sabão
Giram entre si e para si
E em torno de mim

Alegres, elas pululam
Descem e se riem
Vibram, cintilam
Se engrandessem
E explodem

Viram nada, mas
Afinal, o que eram antes?

29 de set. de 2008

"E vendo ele morrer, sem saber o que fazer, segurei sua mão fria..."



Eu queria ter um pedaço de terra. Não um lote ou uma fazenda, apenas um pedaço de terra. Acho que um metro quadrado seria suficiente, mas eu não saberia o que é um metro quadrado, mesmo sabendo o tamanho da terra que quereria. Seríamos amigos, trocaríamos figurinhas e confidências. Talvez trocássemos até algo mais. Brincaríamos até não agüentarmos mais. E para não enjoar nunca do meu novo amigo, plantaria nele uma árvore. Talvez um cipreste, se eu soubesse onde encontrar um cipreste. Seriam meus únicos amigos. E dedicaria minha vida a eles, ouviria seus lamentos e choraríamos juntos. Seriam lamentos de crianças, já que seríamos todos crianças. Mas também riríamos muito, pois teríamos muitas piadas pra contar. Ah, e as piadas do cipreste seriam as mais engraçadas! Acho que eu colocaria um nome na minha terra, mas ainda não sei qual. Quem sabe Maria, ou Macabéia. Ou Maria Madalena. Não, vou chamá-la de Terra. Que é o terceiro planeta do nosso sistema solar. Como Terra é terra, e tanto pode ser menino quanto menina, brincaríamos de tudo. E Terra é um nome bom. O cipreste foi nomeado por Adão, a pedido de Deus. Não posso mudar o divino desejo. A partir de agora chamaremos o cipreste de Cipreste, com letra maiúscula, pois será o nome próprio do meu cipreste. Seríamos então dois meninos e uma menina, o que me daria vantagem. Não iríamos precisar brincar sempre de bonecas e casinha, que são brincadeiras de meninas. Mas teríamos de brincar, às vezes, pra não magoar a Terra. E nunca cresceríamos, pois crescer doeria. Eu gostaria do meu tamanho, pois seria o ideal. O suficiente pra eu alcançar minha cabeça e colocar ou tirar meu chapéu, de acordo com a etiqueta. Não a etiqueta do chapéu, que eu não gosto, mas a etiqueta que nos diz como nos comportar à mesa. Sim, eu também ensinaria etiqueta para os meus amigos, apesar de que não a usaríamos muito, já que eles são terra e árvore. E eu não faria intrigas com o Cipreste contra a Terra, pois guerra é coisa de quem cresceu, apesar de que brincaríamos de guerra também, mas ninguém morreria de verdade. Vamos abrir uma exceção para o Cipreste crescer, senão não teríamos como nos balançar em seus galhos, coisa de que gostaríamos muito. Ele não poderia brincar como nós, nos balanços, mas com nossos impulsos suas folhas se balançariam também, e ele gostaria muito disso. Terra e Cipreste ficariam perto da minha casa, mas em um lugar onde ninguém nos visse. Terra não teria cerca, pra não limita-la, mas eu conheceria cada um dos seus grãos. Com o vento, Terra dançaria muito e Cipreste a acompanharia com suas flores, com ela entre seus galhos. Eu não precisaria de vento pra dançar, mas só dançaria quando ventasse. Não morreríamos, pois seríamos sempre crianças, mesmo o grande Cipreste seria sempre criança. Mas o tempo, que é implacável, passou. Minha casa e meus pais ficaram pra trás e o progresso, ainda mais implacável, nos esmagou. Cipreste, derrubado, se espalhou em palitos, lápis e fósforos pelo mundo e Terra, mesmo gritando muito, foi asfaltada e escondida. Eu, sem amigos, morei nas praças e nas calçadas e não brinco mais. Em todas as praças do progresso eu vejo um balanço de madeira, e me lembro do Cipreste. Me balanço alto, o mais alto que se pode chegar num balanço, e sorrio. E em todas as ventanias, eu danço, sentindo a Terra entre meus cabelos, se pegando às minhas roupas. Então eu sorrio, sorrio tanto que nem o progresso pode me deter. E sou feliz, com o Cipreste a me balançar e com a Terra sempre embaixo das unhas, até o divino infinito, amém.

8 de set. de 2008

Com açúcar, com afeto.



São onze horas e eu to sacudindo o pezinho freneticamente.
A noite vai ser longa.
A semana vai ser longa.
E o mês será MUITO maior que o meu salário.

Sei que vou acordar na terça-feira e pensar na sexta.
Sei que não vou poder não acordar.
Então quero...
Quero programa bêbado na sexta.
Quero programa insano no sábado.
Quero programa ressaca no domingo.
Quero ressaca moral na semana que vem.

Quero matar as saudades...
Quero me divertir.
Sim, mas não.
Não, mas sim.
Talvez.
Como se eu não me divertisse há tempos.
Como se eu não soubesse me divertir há tempos...

É como uma onda que vem e vai, e leva coisas importantes.
E deixa coisas interessantes, mas inúteis.
É como uma onda do Lulu Santos.
Ninguém gosta, mas todo mundo conhece.
É como acordar na terça-feira e pensar na sexta.
É como não acordar...
Ou que seja, seremos o que pudermos ser.
Beberemos o que pudermos beber.
Teremos a cara que temos, olharemos com desdém.

Nesse fim de semana também quero desdenhar.
Quero desprezar.
Quero destratar.
Vamos nos rebelar?
Nos embebedar?
Nos arrepender?

Vamos.
Vamos!
Mas vamos...

...sei que alegre ma non troppo você vai querer cantar...

24 de ago. de 2008

Embriaguemo-nos, pois!


Sou, definitivamente, uma incógnita a mim mesmo. Não sei lidar com a solidão. Não sei, não consigo e não suporto ficar sozinho. Mas não sei lidar com as pessoas. Posso parecer gentil, posso até ser simpático, mas não consigo manter uma relação. Seja de amizade, de amor, de sexo. Não sei, simplesmente. Sempre passo impressões erradas, sempre machuco, sempre esqueço que estou lidando com outra pessoa. Sempre faço o que não deveria. Ou faço o que eu acho que deveria, mas também não lido bem com a realidade... O que acho nunca é o que é.
Eu não sei viver, definitivamente. Não leve a sério o que eu digo, não acredite no que eu digo. O que eu aparento não é o que eu penso. O que eu digo não é o que eu penso. Eu não sei o que eu penso, então também não tente entender.
Eu não sei gostar de ninguém. Não sei o que fazer quando alguém gosta de mim. Se o amor é sincero, recíproco, eu vou e fodo com tudo. Faço qualquer merda homérica, pra estragar tudo. E, se eu desisto de gostar de você de uma hora pra outra, não é porque eu não gosto mais de você. É que eu cansei de tentar organizar o que sinto, cansei de conviver com o que sinto dentro da minha cabeça.
Por isso:

Embriaguem-se
Chales Baudelaire


“É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso" Com vinho, poesia ou virtude, a escolher".

17 de ago. de 2008

O que eu vejo? O que você vê?



Não tenho o que dizer, não tenho o que fazer. Nunca soube como dizer o que sinto, nunca soube como sentir o que digo. Espero que você me entenda, mas você sempre me entende. Mesmo quando não sou claro. Mesmo quando não tem como entender o que digo. Porque eu não me entendo... Eu me confundo tanto, me contradigo e não te digo. Eu sinto sua falta, mas sua presença me incomoda. E tem sempre uma garrafa, um comprimido, umas pessoas. Eu não sei quem são essas pessoas, mas eu estou sempre lá. Eu não sei como chegar lá e eu não sei como sair daqui, mas estou sempre entre. Entre suas pernas, entre seus lábios, nas suas palavras... Eu não sei como cheguei lá, não sei como saí daqui.
Essas grades deveriam ser mais resistentes. Essa janela deveria ser mais alta. Foi sensato quando disse que uma casa seria mais segura que um apartamento. Alturas tentam. Pernas tremem. E minha cabeça dói, como doem meus olhos, minhas mãos e eu não sei. Como nunca soube o que dizer. Nunca soube como dizer, e eu tenho tanto pra contar... Mas minhas histórias te enchem o saco. Minhas histórias deveriam estar em vermelho, em branco. Minhas histórias não deveriam ter tantas cicatrizes. E você conta cada uma delas, você fez algumas delas. Minhas marcas não te marcam porque você não as vê no espelho. Você não precisa conviver com isso. Você não precisa ver o que eu vejo, minha cabeça não se abre pra você. Minha alma não tem cor nos seus sonhos. E eu quase não sonho... A realidade é tão difícil, como é difícil saber quando é real. Eu nunca tenho certeza.
Eu nunca tenho certeza, mas eu tento. Eu erro tanto, tanto... E tudo o que eu faço, tudo o que eu digo, você deveria saber que é mentira. Você me conhece, deveria conhecer minhas mentiras. Mas eu não minto pra você... E você sabe. O que eu te digo é verdade, porque é pra você. Eu não sei em quem acreditar. E esse medo de ter feito... Esse arrependimento de não ter feito... Tenho medo de você descobrir o que nem eu sei, de você me odiar. Você deveria me amar tanto! Onde foi que erramos? Onde foi que errei? Mas você não entende nada do que eu digo. E eu me contradigo tanto! Não ouça o que eu digo, não veja o que eu faço. Não sinta o que eu sinto, só fique comigo essa noite... Não fuja, você é tão importante pra mim! Mas você não fugiu, você não saiu escondido. Você nunca esteve aqui. Você nunca esteve verdadeiramente aqui, como eu também não.
Vamos sair, vamos beber, vamos dançar. Me faça esquecer! Amanhã pensaremos, amanhã seremos quem você quiser, mas hoje eu não posso pensar... Hoje eu não posso sentir, vamos? Me leve pela mão e me empurre na escada. Eu nunca pedi muito de você, mas você só me ofereceu o que eu não queria... E você queria tanto. Tanto de mim, tanto de você. Você não quis acreditar, eu não quis te convencer. As coisas são mais fáceis se não são explicadas. Se não são explicáveis. Vamos, me tire daqui. Leve-me pela mão e me guie, seu caminho deve ser mais agradável que o meu. Qualquer caminho deve ser mais agradável, se não for o meu.
Ora, vamos, me tire daqui...

4 de ago. de 2008

Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse.




Não quero, como Coralina, cantar a beleza sutil do cerrado.
Tenho agonias demais pra um único nome. Não sou Fernando e não sou mais de uma Pessoa.
Não cantarei o vinho Byroniano ou o haxixe de Rimbaud.
Não chorarei a morte de Álvares, nem a decomposição de Augusto dos Anjos.
Não reclamarei a vida gauche de Drummond, não me chamo Raimundo e meu mundo não é vasto.
Não sou príncipe em meu pequeno mundo, não cativo ninguém.
A minha náusea não é da existência de Sartre.
A peste de Camus não me pegou.
Não cometi crime nem fui castigado, não sou idiota!
Não sou Maquiavélico e minhas orgias não são Sádicas.
Minha alma não é feminina e meu sofrimento não é o de Lispector. Minha hora não é de estrela.
Não sou grande, nem sequer mentecapto.
Não sou velho nem casmurro, e minha amante não tem olhos de ressaca.
Não conheci as veredas do grande sertão.
E, meu caro Watson, nada é elementar.
Não calcei sapatos de cristal, não comi maçãs envenenadas e meu final não foi feliz pra sempre.
Ninguém me contou mil e uma histórias.
Meus moinhos não são dragões e eu não sou cavaleiro. Nem solitário.
Não enfrentei o inferno nem o alcancei o paraíso de Dante.
Não matei meu pai, não desposei minha mãe, não enfrentei esfinges.
Minha história não é uma odisséia.
Minha histeria não é freudiana.
Não estou esperando Godot.
Não gosto de apanhar, não sou engraçadinha, menos ainda ordinária.
Minha vida privada não é uma comédia.
Não acordei uma barata, não enfrentei um processo nem procurei um castelo. Nunca escrevi cartas ao meu pai.
Não fiquei cego, não conheci Cristo nem fui duplicado. Minha morte não é intermitente.
Meus feriados não são de mim mesmo, minhas mortes têm nomes.
Não sou Lorena, não sou Capitu, não sou Vira Mundo, não sou Jesus Cristo e nem sou Madalena. Meu sobrenome não é K.
Meus morangos ainda não mofaram, minha idade ainda não é de razão.
Minha maçã não está no escuro.
A leveza do meu ser não é insustentável.
Minha solidão ainda não tem cem anos.
Não tenho espada, não tenho cavalo, não tenho escudo. Meu povo não é o das fadas. Meu Graal não é santo.

- Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?
- Deixa disso, camarada. Me dá um cigarro!

28 de jul. de 2008

Programação (in)cultural:



Daí que esse mês de agosto tá animado: Temos dois dias de Porão do Rock, três dias de Móveis Convida, festa a fantasia das meninas e mais um monte de dias com programas a se inventar.
O porão vai ser legal, como sempre, mas sem grandes coisas. Todo mundo está morrendo pelo tal do “Muse”, mas eu nem me empolgo... Descobri esse povo com a propaganda do porão e nem gostei muito. Mas eu vou assim mesmo. Porão sempre tem diversão garantida.
O móveis esse ano é no Espaço Brasil Telecom, com 450 CADEIRAS. Então... Como eu vou pra um show dos móveis em um lugar inalcançável, com ingressos limitados e CADEIRAS????? Nem na minha casa tem cadeiras, porque eu as quereria num show dos móveis?!
A festinha das meninas tá super bombando, num lugar longe e estranho também, mas com muita gente legal e idéias incríveis. Só pela oportunidade de sair de casa vestido de Ney Matogrosso eu já me empolguei. Não que eu vá de Ney mesmo, mas gostei da idéia... e ainda a estou amadurecendo. (Eu terei que ficar bêbado antes de começar a me vestir, pra ter coragem, mas...)
E nos outros fins de semana ainda temos Galleria, Beirute, Gates Pub e outros programinhas alcoólicos.

Daí que eu sou do proletariado, não tenho dinheiro e dependo de salário.
Daí que eu tenho uma casa com três gatos pra cuidar e montar, então GRANDE parte do meu salário é comprometida.
Daí que eu sou um bêbado, então outra GRANDE parte do meu salário tem que manter minha embriagues.
Daí que eu não joguei na mega sena e não to muito a fim de trabalhar pro resto da vida.
Daí que eu to oferecendo o corpo por dinheiro, comida, ração pra gato, camas King Size, bebida e diversão. Alguém se oferece? Alguém?!

E daí que a Bréscia me odeia e some de mim. Faz programinhas pervertidos por aí e me esquece.

Ah, e daí que ainda tem o aniversário da minha mãe! Tenho que revirar minha cabecinha pra criar um presente bom e barato.

21 de jul. de 2008

Jesus está voltando, você está pronto?



Então, estamos todos preparados para o apocalipse? Alguém já ouviu trombetas e cantos gregorianos vindos do céu? Eu to aqui, esperando a chuva de meteoros... Será que demora? Dercy já morreu, o que mais falta? Ah, é... O Niemeyer e os Rolling Stones!

Gente, piadinhas sem graça à parte, eu realmente fiquei chocado. Não que eu não esperasse, eu esperava a morte dela desde que nasci, mas agora, sei lá... Ficou um vazio. Uma certeza de que a morte realmente existe, uma impressão ruim da vida... Coisas.

E sobre a visitinha ao Goiás, me restam: Dois dedos formigando há dois dias, algumas marcas doloridas no corpo, menos 4 centímetros de fígado e mais uma saudade imensa...
Rever velhos amigos serve só pra reavivar a saudade.
E coisas boas também, que não precisam ser ditas, podem ficar subentendidas.

Ah! E eu descobri que adoro Bela Vista de Goiás. Só lá você pode beber cerveja no pet shop! Exatamente, é um pet shop... que vende cerveja! O pet shop tá lá, bombando, e você senta numa mesinha e pede uma Antarctica. Gelada.
Ainda têm os espetinhos, mas daí eu não garanto a procedência... Espetinhos de pet shop?! Mal como vacas, vou comer gatos e cachorros? Não, obrigado.

Sem contar que agora também to com saudade dos amigos daqui! Todo mundo me abandonou, numa grande conspiração. Tenho certeza que estão todos numa festinha e, quando eu ligo, desligam o som e dizem que estão na casa da mãe... Certeza.

3 de jul. de 2008

Realismo.



- Que gracinha, seu filho?
- É, está agora com um ano e meio.
- Nossa... Pensar que daqui a algum tempo ele já vai pra escola, hein?
- É...
- Depois pra faculdade... Trabalho...
- Passa rápido, né?
- É... As crianças crescem rápido mesmo.
- Pois é.
- Quando você menos espera, já é um adulto!
- É...
- Aí ele fica velho... e morre.
- ...
- Se não for assassinado, claro. Nesse mundo violento que a gente vive...
- ...

23 de jun. de 2008

Ouça-me.


Sabe aquela segunda-feira dolorida, do meio pro fim do mês, quando você não tem mais nem UM real, nem pra almoçar, e seus cigarros estão contados? Sabe quando você trabalha DEZ horas seguidas, com sono e sem entender por que cargas d’água você não é a Paris Hilton? Sabe quando você está cambaleando de fome e ainda tem que enfrentar a rodoviária do Plano Piloto em pleno horário de pico? E, como se isso não bastasse, sabe quando você ainda tem que enfrentar um metrô lotado? E, pra desgraçar de vez, um velho ASQUEROSO escarra TRÊS vezes seguidas DO SEU LADO?! Então. Isso foi a minha segunda-feira. Que é pra começar bem a semana...
Mas sabe quando você tá andando até sua casa – claro que você mora longe da estação do metrô, mas vai de metrô, assim mesmo, porque é mais bonitinho –, variando de fome, e percebe que, mesmo com a vidinha miserável de proletariado-de-país-subdesenvolvido, que é terceiro, nem é segundo mundo, você vê que ainda está feliz?
É...
Aí você chega em casa, come mais do que deveria, fuma um cigarro (que tava fora da conta que você fez de manhã), e entra no msn só pra esperar alguém entrar... pra falar as mesmas besteiras que falou o dia inteiro, mas poder dormir com um sorrisinho besta estampado na cara... (aquele mesmo sorrisinho besta que me irrita).

“Já sabe o que eu sinto de cor
Ou vou ter que escrever nos muros
Gritar nas ruas
Mandar por num outdoor?

De tanto não poder dizer
Meus olhos deram de falar
Só falta você ouvir

Bem que você podia pintar na sala
Da minha tarde vazia
Meu bem”



Ah, o Ney sempre me entende...

18 de jun. de 2008

Pode rir. Hoje to meloso, doente e carente.


Tatuagem
Chico Buarque

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...

E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...

2 de jun. de 2008

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?



“Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
E tinge os rumos da madrugada
E tinge os rumos da madrugada
Irão de longe as multidões suspirosas
Escutar o bezerro plangente”


Ah, realmente não há possibilidade (alguma) de viver com toda essa gente. Talvez com alguma gente, poucas. Pouquíssimas. O mundo gira, gira e me assusta. As pessoas mudam, as “tribos urbanas” se renovam, se reinventam, e me assustam. A forma como as pessoas amam, a forma como as pessoas demonstram seu amor e a forma como as pessoas tratam seu amor, me assustam. A falta de senso crítico, a necessidade de ser criticado. A falta de bom-senso, a necessidade de NÃO ser bom. Tudo isso tem me assustado deveras... E é então que vejo que não, não posso estar tão errado e ser a grande escória da sociedade. Não posso ter me enganado tanto. Não é uma roupa ridícula, de tão moderna, que te deixa melhor. Não será uma chegada escatológica, de tão moderna, que te dará a atenção que precisa. Não vai ser um escândalo pobre que vai garantir a “segurança” e a “estabilidade” do seu amor. Não vai ser toda a sua modernidade que vai garantir sua vida social. Podemos ser modernos, hypes, à frente do nosso tempo, podemos até chocar com toda a nossa modernidade, mas isso não vai garantir nossa saúde mental.

Enfim, e quem sou eu pra dizer isso? Eu, que já estive à frente do meu tempo. Que ousei com aquela roupa. Que cheguei de forma escatológica pra garantir alguns olhares. Eu, que nunca briguei por ninguém e, talvez por isso, hoje não tenho ninguém. Eu, que nunca tenho certeza do que é certo e do que é errado, que sempre posso mudar de opinião. Que sempre me contradigo. Que às vezes sinto falta de tudo isso, mesmo já tendo provado que estava errado. Eu que nem sei se concordo comigo mesmo!

"Eu vou lhes dizer agora o oposto do que eu disse antes, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante."

De tão moderno que sou, citei Raul Seixas e Secos e Molhados num mesmo texto.

”Dentaduras duplas!
Inda não sou bem velho
Para merecer-vos...”


Pronto. Agora citei Drummond! Tanto rabugismo às vezes me faz crer que meu RG me engana.

24 de mai. de 2008

O que importa é que já não importa o que importa.



Parada na janela, sentada sobre o parapeito, via as árvores do parque, as crianças que corriam, os carros que passavam lá no fundo (desta altura, já pequenos) e alguns pássaros que cantavam (na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana). Então ela se jogou. Não, não foi bem assim que tudo aconteceu. Havia mais poesia... Ela não se jogou, apenas deixou que suas moléculas seguissem o fluxo natural das coisas. O resto foi culpa da lei-da-gravidade, que faz de pequenas quedas simples, grandes quedas graves. E o som grave daquela tarde estava mais sonoro que o normal, como canto de pássaros (na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana, mesmo não sendo assim tão graves). E crianças que gritavam, corriam, sorriam, corriam, gritavam, sem parar, como pequenos aborígines assustados. Gremlins alimentados depois da meia-noite, reproduzidos com água. E o filete de sangue escorria da boca de dentes quebrados, sujando o passeio público. Morreu na contra-mão, atrapalhando o trânsito. O público, que não parava de transitar, agora se reunia em volta de uma pequena tragédia. Não pequena, afinal ela não era tão pequena (fracassara no regime mais uma vez). Mas pequena, afinal, só uma vítima. Nenhum grande incêndio, nenhuma torre no chão, que dirá duas! Só uns cabelos sujos, embaraçados pelo vento. E pernas que se dobram num ângulo estranho, que não deveria existir. E braços que se abrem numa cena profana, como sátira. E o filete de sangue, que teimava em escorrer da boca de dentes quebrados.
Não, podemos contar assim: Estava na janela, a sonhar, quando uma mão pesada veio e lhe empurrou. Eu disse mão, não mãe, essa história é outra. Nessa janela não tinha grade ou cerca. Não tinham cúmplices, fraldas, tesouras ou testemunhas. Nessa história não tinha nem a mão pesada, para empurrá-la. Mas a mão pesada a empurrou, pra não perdermos o início da trama. E foi tudo tramado, o sol que pairava amarelo, o céu que esperava azul, as nuvens que sorriam brancas e os pássaros que cantavam cinzas. Na maioria sabiás, que ainda resistiam à dureza da vida metropolitana. Sim, talvez uns pardais. Mas nenhuma criança, nessa história não tinha crianças. Ninguém sorria, ninguém gritava, ninguém corria. O passeio não era público, o tráfego não se movia (hora do rush). Ou feriado nacional, no pátio do inmetro. Alguém dentro dela resolveu não trabalhar naquele dia, naquele feriado nacional. Suas moléculas, sob o efeito grave da lei-da-gravidade, seguiram o fluxo natural das coisas. Se soltas, caem. E caiu, pesada como uma mulher-antes-do-trinta-que-ainda-não-conseguiu-atingir-o-peso-ideal. Todo o peso de uma vida, de várias vidas, de uma mulher, de um homem, de vários homens. No fim das contas, as contas não fazem diferença. Ela era todas, naquele corpo grande de mulher experimentada. Era todos, naquele corpo grande de mulher invadida. E todos os invasores caíram com ela, naquele baque surdo de ossos-contra-o-asfalto.
Também poderia terminar assim: Ela olhou pela janela, sentiu os olhos cansados daquele sol quente, daquelas nuvens brancas, daquele céu azul, daqueles pássaros cantarolantes. Nunca teve dom pra princesa de conto-de-fadas. Pulou.
Ainda poderíamos dizer de outra forma, que, cansada da luz intensa do sol (essas ressacas ainda me matam), voltou-se pra dentro, trancou a janela, fechou as cortinas, bebeu o último trago de vodca, apagou o último toco de cigarro e voltou a dormir.

19 de mai. de 2008

Quando ela chora eu não sei se é dos olhos pra fora, não sei do que ri.



Sorrisos estampados me irritam. Não é um sorriso, parece uma cãibra. É como se estivessem zombando, sorrindo. Um quadro famoso que ilustra uma parede famosa de um museu famoso. O eterno sorriso da Monalisa, ridícula. Alguém disse (acho que foi Victor Hugo) que “rir de tudo é desespero”. Não rir pode ser (ou não) tristeza, mas rir de tudo é, com certeza, desespero. Kafka já falou disso, n’O Processo. K. (o protagonista, que luta contra o processo) tem um ajudante no banco que tem uma contração involuntária da boca, parece que ele está sempre sorrindo. Isso, obviamente, irrita muito ao K. Talvez a culpa, a timidez, causem toda essa irritação, pois parece que quem está rindo sem motivo só pode estar rindo da gente. O personagem não faz nada além de estar ali, sorrindo. Irritando. Kafka faz questão de explicar que K. sabe que é só uma contração INVOLUNTÁRIA, mas mesmo assim ele se irrita. A primeira menção a ele é “e Kaminer e seu sorriso insuportável, provocado por uma contração crônica dos músculos”.Em outra passagem, no mesmo capítulo, Kafka diz: “Kaminer alcançou-lhe o chapéu, e K. teve de dizer expressamente a si mesmo, conforme aliás também havia sido necessário mais de uma vez no banco, que o sorriso de Kaminer não era intencional, que ele nem sequer era capaz de rir intencionalmente”. Durante toda a narrativa, sempre que o Kaminer aparece, o autor cita a irritação que esse sorriso provoca. E eu concordo plenamente com ele. Pessoas inexplicavelmente sorridentes são insuportáveis.
Não que a felicidade alheia me incomode, longe disso. Adoro uma boa gargalhada, um sorriso satisfeito e até aquelas risadinhas de hiena doida são aceitáveis, quando não são felicidades exageradas também. A felicidade alheia me felicita, quando moderada. Felicidade demais é muito suspeita. Mas a felicidade comedida e explicável é linda! O problema é o sorriso estranho, que nunca sai do rosto. Eu sorrio muito, conheço gente que sorri muito, mas nunca supera o limite do suportável. Nunca é aquele sorriso estranho, de gente que não faz outra coisa senão sorrir. Eu gosto (apesar de me incomodar e ser sempre motivo de resmungos) da cara de desdém da Marianna, da cara de absoluto desprezo da Bréscia, da cara de profunda indignação da Ana Lívia, de todas as caras do Ramón e por aí vai. A Suellen tá sempre sorrindo, mas ela tem uma aura mais feliz. Não é o tal sorriso chato. E os outros, que também não são tão esquisitos. Não sei se conseguiria criar um vínculo de verdadeira amizade com alguém tão “sorrisos”. Não seria saudável. Prefiro as pessoas humanas, que riem, sorriem, xingam e fazem cara feia também. Vamos deixar os sorrisos pro Louvre, a Monalisa faz isso melhor que ninguém.

Oquei? Vamos sorrir com parcimônia, meus queridos.